quinta-feira, 1 de maio de 2008

40


Eh, eh!... A partir de hoje, sou obrigado a circular a mais de quarenta...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

VINTE E CINCO DE ABRIL.

.

Já há muito tempo, ao passar no Largo do Carmo, reparei nesta homenagem a Salgueiro Maia.
Se passares por lá, olha para o chão, está ali bem á frente do Quartel do Carmo.
É na minha opinião uma peça extraordinária.

Esta peça-homenagem, que evoca a memória de Salgueiro Maia, foi colocada no lugar onde este empunhou o megafone para comunicar com o interior do Quartel do Carmo.

Foi colocada no lugar onde o Homem Salgueiro Maia se transcendeu e se tornou Mito.

.
Para mim este bocadinho de Lisboa tornou-se mágico, porque quando se passa por ali, esta peça permite criar um elo directo com um evento passado no exacto local onde ocorreu. Um bocado na linha dos monumentos paleolíticos, que ligados profundamente á paisagem, transformavam-nas, tornando-as sagradas.

Nesta peça faz-se a síntese de um Homem, de um Lugar e de um Tempo.
Há trinta e quatro anos.
Sempre.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

OLISSIPOP

.
Olá! Peço-te desculpa por me ter ausentado tanto tempo. Vieste aqui várias vezes, eu sei, e o calendário deste blog não mudava...

Para recomeçar (de novo) nada melhor do que falar de outro recomeço.
Falo aqui do recomeço do Jardim de S. Pedro de Alcântara.
Tanto tempo sem poder ir ali, tanta obra, temia o pior.
Se bem me lembro, havia mais verde, com alguns canteiros, na zona das árvores. Porém quando por lá passei foi muito agradável sentir o som da gravilha compactada. (É arrastar os pés pessoal!...)
Também foi finalmente aberto ao público, após tantos anos, o patamar inferior.
Este patamar apresenta uma série de bustos (montados sobre pedestais), de personalidades históricas e míticas, algumas delas conhecidas, outras de que – confesso - nunca ouvi falar, outras sem nome que as identifique e outras ainda cujo pedestal é a sua única apresentação pois o busto já não está lá.

Não venho aqui censurar esta questão de pedestais sem bustos porque, por exemplo, sempre se pode inventar a cara de Marco Aurélio.

O que me deixou perplexo, isso sim, foi algo que seguramente não foi da responsabilidade dos autores desta remodelação.
O que me surpreendeu foi encontrar, no canto mais remoto deste patamar, a estátua de Ulisses.


Lisboa – A Romana Olissipo – Deve o seu nome a Ulisses. Ele é o fundador mítico desta nossa cidade. Quem é que se lembrou de o pôr ali, naquele canto?

No eixo central do espaço deste patamar inferior e em grande destaque encontram-se lado-a-lado Camões e Pedro Alvares Cabral. A Língua Portuguesa e o Brasil. É curioso, nesta época de acordo ortográfico, de “fato” é...

Mas o meu Ulisses, (que não há ali mais ninguém a olhar para ele senão eu) está declaradamente com a cabeça totalmente virada para o lado. Porquê? Todas as outras estátuas estão mais ou menos a olhar para a frente... O Ulisses não...

Pensando bem, com a cabeça assim parece ter aquele ar do marinheiro que olha sempre para o longe, para além do horizonte, interpretando as nuvens e os ventos.
Custa-me vê-lo assim remetido para um canto.

Mas o que é pior ainda é que graças a um desastre construtivo, (provavelmente dos anos 70 ou 80) o Ulisses, que enfrentou o Mar, teve inúmeras aventuras e deu início à nossa cidade, encontra-se agora ainda com aquela expressão de desafio que afivelou há tantos milhares de anos, mas a olhar para uma parede...

Assaltou-me uma certa sensação de impasse esta de ver Ulisses virado para uma parede, como de castigo, ou então lamentando-se de algo...

Fui-me embora, confuso, olhei para trás e vi Ulisses desafiando, imóvel, a parede.
Nuvens negras adensavam-se no horizonte.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

INQUIETAÇÃO

.
Olá! Já voltei a Lisboa e às lides.

No domingo passado, voltaram à televisão programas que também tinham ido de férias.
Um deles é aquela série deliciosa, de produção nacional, chamada “Conta-me como foi”, passada aqui em Lisboa no final dos anos sessenta.
O episódio que foi transmitido no domingo, situava a acção no ano de 1968 (o meu ano! yess!) e apresentava aquele momento em que se começaram a sentir soprar alguns ventos de mudança no Portugal de então.
A personagem que conduz este episódio é António Lopes, o pai da família (um excelente Miguel Guilherme). O Lopes vai ao longo do episódio despertando para uma maior consciência sobre a realidade política e social do país.
O tema musical que o “acompanha” neste episódio, expressa de uma maneira magnífica o espírito geral da mudança que começava a germinar. Esse tema é a canção “INQUIETAÇÃO” do Zé Mario Branco.
Há séculos que eu não houvia essa canção!!

Hoje acordei com a canção a martelar-me na cabeça.
Finalmente senti curiosidade de procurar a letra para lhe dedicar mais atenção.

Grande canção, grande poema.
É impressionante como, de certa forma, esta canção descreve o que sinto neste momento. Obrigado Zé Mário!
Aqui vai:


INQUIETAÇÃO

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me a fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda


José Mario Branco.


.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

"DISCOS PEDIDOS"

Foi pedido e aqui está:

Mais uma menina urbana de franjinha!

Esta, dei com ela numa montra de uma loja de roupa.
Em cima de uma camisola.

.

Bom...e agora até breve, que vou prá Grécia!
(Ver as tais "Mulheres de Atenas"?)


Até Outubro!

.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

CELTIC SOUL BROTHERS

1
2
3
4
... Não consegui resistir a colocar este post.
Lá estou eu a fugir outra vez ao contexto urbano e a Lisboa…
Bem… mas como já coloquei alguns posts sobre o Sul, é justo que agora o faça sobre o Norte.
Aqui está um grupo de verdadeiros Celtic Soul Brothers! Para mim é isso mesmo o que os Pauliteiros de Miranda são. Embaixadores da Cultura Celta aqui no país.
No Sábado passado dei com estes moços na Festa do Avante! já a noite ia bem avançada. Já depois dos grandes concertos e grandes nomes terem passado pelos palcos.
Entusiasma-me a alegria e irreverência em estado bruto deste nosso folclore.
E alegro-me ao testemunhar a irreverência de se defender uma cultura e uma língua (nem que seja á paulada :-)!...).
Assistir a uma apresentação de Pauliteiros (esta foi a minha primeira vez ao vivo) é entrar numa atmosfera irreal. Ali, homens vestidos de saias com panos coloridos falam o mirandum. Não compreendo a razão daquela indumentária (vou procurar saber) e quase não entendo o que se fala.
Mas ali, naquela noite, ninguém se importava. Num frenesim comandado pela gaita-de-foles e pelos bombos, todos vibravam com a vertigem dos movimentos rápidos, do colorido …e das pauladas!
Esta malta é cheia de raça! Têm montes de atitude. Isto faz falta neste país cada vez mais sorumbático.

A propósito de gajos com raça e atitude: dedico este post á Selecção Portuguesa de Rugby, “que anda lá fora a lutar pela vida”.
Amanhã vão fazer o jogo da vida deles contra a Nova Zelândia. Ao meio-dia.
Vão perder, já sei. Toda a gente sabe. Mas vão lutar, eu sei que vão lutar.
Já dei por mim em montes de molhadas a disputar uma bola. Porém nada comparável ao que estes rapazes vão passar amanhã.
Curioso, isto de jogarmos com os nossos antípodas!
Vou para um restaurante ficar colado à SportTV.
FORÇA RAPAZES!!!
.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

STENCIL.PT

Um STENCIL num PT.

Também vou passar a pôr aqui, de vez em quando, alguns testemunhos da arte feita por esses artistas vagabundos que são os pintores de Stencil.

Aqui está uma bela cachopa urbana. Nas Avenidas Novas, muito perto da Av. de Berna.

.